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Moysés Soares da Fonseca, desbravador

Grande nome da AD fluminense contribuiu para expansão da mensagem pentecostal em Rio Bonito, Niterói, São Gonçalo e Baixada Litorânea

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Um dos maiores nomes da história das Assembleias de Deus no Estado do Rio de Janeiro e grande líder do período de expansão da mensagem pentecostal nas regiões de Rio Bonito, Niterói, São Gonçalo e Baixada Litorânea, foi o pastor Moyses Soares da Fonseca. Ele nasceu em 8 de agosto de 1909, na cidade de Rio Bonito (RJ), filho de João Freire da Fonseca e Maria de Jesus Soares. Sua família pertencia à 1ª Igreja Batista de Rio Bonito, e seu pai era diácono dessa igreja.

Conversão e chamada

Aos 14 anos, Moysés tornou-se membro da Igreja Batista, porém, desde os 7 anos, sentia desejo de aproximar-se mais de Deus, dedicando-se à oração. Quando foi batizado nas águas, seu maior sonho era ser um pregador do evangelho. Em 1928, quando tinha 18 anos, chegou à sua cidade o casal João Evangelista e Deolinda Ramos, provenientes da Assembleia de Deus de São Cristóvão e dirigidos por Deus para pregar a mensagem pentecostal aos moradores daquela região. Aquele casal passava noites inteiras em orações e súplicas, e repentinamente surgiu grande despertamento naquela cidade. Muitas pessoas se converteram. No entanto, havia muita zombaria por parte de não-crentes e outros evangélicos, inclusive dos batistas, dizendo que, nos cultos dos pentecostais, os homens subiam pelas paredes e as mulheres gritavam e pulavam iguais a cabritos.

Por causa dessas histórias, certo dia, Moysés, seus pais e irmãos foram assistir como “espias” a um desses cultos pentecostais. O poder pentecostal caiu sobre o auditório, começaram a chorar e a família de Moysés foi batizada no Espírito Santo. Então, toda a sua família passou a pertencer àquele movimento. O jovem Moysés, que, desde a sua infância, ao ouvir pastores e missionários batistas que frequentavam o ponto de pregação em sua casa, alimentava sonhos de fazer a obra de Deus, agora, batizado no Espírito Santo, sentiu o toque divino para a evangelização e saiu para o campo cheio de entusiasmo, trabalhando como evangelista.

Em 1928, recém-convertido e antes de completar 19 anos, Deus confirmou o trabalho de suas mãos. Enfrentou uma série de dificuldades em Capivari, Correntezas, no município de Silva Jardim (RJ), mas Deus concedeu-lhe ali algumas centenas de convertidos. Quando completou 22 anos, ainda solteiro, Moysés foi consagrado ao ministério pastoral, em 31 de outubro de 1931, em Pirineus, município de Capivari, atual cidade de Silva Jardim (RJ), pelas mãos de Gunnar Vingren, um dos fundadores das Assembleias de Deus no Brasil, e intensificou ainda mais suas atividades evangelísticas. No ano seguinte, em 1932, casou-se com Georgina Francisca da Fonseca. Sem casa, salário e cama, trabalhou muitos anos para o Senhor vivendo somente pela fé. Com ela teve nove filhos (um falecido): Haddy, Adnir, Ade nair, Adilson, Adiléa, Raquel, Moysés Fi lho e Maria Regina. Quando se casaram, Moysés e Georgina, nada possuindo, após os cultos, juntavam quatro bancos e dormiam tranquilamente até perto do amanhecer, quando então acordavam para orar e conseguir a necessária direção para as atividades espirituais do novo dia.

Seu início ministerial deu-se como obreiro auxiliar do pioneiro da Assembleia de Deus em Rio Bonito, pastor João Evangelista. O jovem Moysés Soares cooperou em diversas localidades na região, ajudando na fundação das congregações em Correntezas, Silva Jardim, Pirineus, Bananeiras, Imbaú, Gaviões, Rio Bonito de Cima, Salto d’água, S. Thomé, Lavras, Serra do Sambé, Serra do Sena, Carmo, Cachoeiras de Macacu, Maratuan, Casimiro de Abreu, Aldeia Velha, Cesário Alvim, Sumidouro, Duas Barras, Nova Friburgo e Cabuçu. Entre 1931 e 1932, contavam-se, naquela região de Rio Bonito e Silva Jardim, quase 600 crentes, muitos dos quais eram batizados no Espírito Santo.

Perseguições e crescimento

Muitas foram suas experiências ministeriais. Ao mesmo tempo em que havia grande despertamento espiritual, também, em toda parte, levantavam-se perseguições contra os crentes. Certa vez, uma senhora, esposa de um fazendeiro, aceitou Jesus como Salvador no culto de domingo pela manhã. No dia se guinte, o pastor Moysés fez-lhe uma visita pastoral. O esposo da nova convertida o recebeu empunhan do uma foice para atacá-lo. Pastor Moysés clamou a Deus, o homem abaixou o braço e, chorando, também aceitou Jesus como Salvador. Em outra ocasião, a igreja em Pirineus foi perseguida por cerca de 200 pessoas armadas com facas, foices e paus para matar os pastores do campo: João Evangelista, Hermenegildo Marinho, Manoel Mendonça e Moysés Soares. Porém, meia hora antes da investida da multidão, o Espírito Santo ordenou que os irmãos se retirassem do local e todos obedeceram, recebendo grande livramento. Quando a turba chegou, destruiu o templo, incendiando-o, por determinação do delegado de polícia.

Em fevereiro de 1933, João Evangelista se despediu da direção do campo para ir trabalhar no Piauí. Ficaram, como seus sucessores, pastores Moysés Soares, então dirigente em Pirineus, com quase 200 crentes, e Manoel Mendonça, de Bananeiras, com cerca de 100 crentes. No ano seguinte, 1934, João Evangelista retornou ao campo de Rio Bonito, que, naquela época, já contava com mais de 300 crentes, distribuídos em 13 congregações, e era seu auxiliar o pastor Moysés Soares.

Em 1939, o pastor João Evangelista teve divergências doutrinárias com as Assembleias de Deus e renunciou ao pastorado, entregando a direção dos trabalhos naquela região ao missionário sueco Samuel Nyström, então pastor da Assembleia de Deus de São Cristóvão. Em vista disto, Samuel Nyström passou ao pastor Moysés a direção das igrejas de Cachoeiras de Macacu, Pirineus, Vargem Grande, Maratuan, Bananeiras, Aldeia Velha, Casemiro de Abreu, Itaboraí e Alcântara (inicialmente, o trabalho funcionava em Trindade). Para visitar todas essas cidades, pastor Moysés viajava muitas vezes debaixo de chuva e sem ter onde comer ou dormir. Certo dia chuvoso, viajando a cavalo, parou num armazém para se proteger da chuva torrencial, não sabendo que três homens haviam tramado aplicar-lhe um ato de covardia: obrigá-lo, junto com seu cavalo, a tomar cachaça, para ridicularizá-lo. Mas, também desta vez o Espírito Santo interferiu, avisando que se retirasse do local. Quando os malfeitores chegaram, não o encontraram mais.

Pastor Moysés sempre pôde contar com livramentos dados por Deus. A caminho da evangelização, ao passar por uma ponte, escorregou e caiu no rio. Dois homens que estavam pescando salvaram-no. Em outra vez, numa emboscada com oito pessoas armadas de foice, pastor Moysés pregou o evangelho, resultando na conversão da família de um daqueles elementos que queriam agredi-lo. Determinada noite, pastor Moysés estava com os crentes reunidos num culto de oração, quando foi surpreendido pelo chefe político e subdelegado. Este deu uma cipoada no rosto do pastor Moysés e um prazo máximo de oito dias para se retirar dali.

A perseguição por causa da pregação do evangelho de Jesus Cristo era tanta que pastor Moysés foi levado à prisão duas vezes, sendo uma na Delegacia de Polícia de Silva Jardim e, em outra vez, foi levado de trem, escoltado por dois soldados, para a Secretaria de Segurança Pública em Niterói, onde ficou detido por duas semanas entre presos comuns. O presidente da República na época, Getúlio Vargas, tinha um ajudante de ordem que era evangélico e favoreceu a soltura do pastor Moysés a pedido do missionário sueco Samuel Nyström. Coincidentemente, dez anos depois, pastor Moysés retornou a esta mesma prisão, a pedido de Alberto Goulart, então pastor da Assembleia de Deus de Porto da Madama e investigador de polícia, para ouvir um prisioneiro que desejava falar com um pastor e confessar seus erros.

Por determinação do missionário Samuel Nyström, pastor Moysés assumiu também a direção das igrejas de Nova Friburgo, Sumidouro e Santo Antônio dos Montes (Duas Barras), região em que, durante três anos, viajou de trem, em lombo de burro e a pé. A igreja de Nova Friburgo crescia, passando a exigir maior assistência espiritual. Em 1939, então, pastor Moysés se transferiu para Friburgo.

Liderança em Niterói e região

Em 1946, voltou a trabalhar em Niterói, então capital do Estado do Rio de Janeiro, atuando como vice-presidente do campo das Assembleias de Deus em Niterói e São Gonçalo, e como pastor local da Assembleia de Deus do Fonseca, a convite do então líder do Ministério Geral, pastor Francisco Leopoldo Coelho. Depois da morte do pastor Francisco Coelho, em 1956, pastor Moysés assumiu a presidência da igreja e do campo, permanecendo neste cargo até 17 de março de 1984, quando foi jubilado, continuando como presidente de honra do Ministério até o seu falecimento.

Foram, ao todo, 60 anos de ministério, 38 dos quais dedicados à Assembleia de Deus do Fonseca, em Niterói. Pastor Moysés ordenou 30 pastores, somente durante as décadas de 1950 e 1960. De 1971 a 1973, foi vice-presidente da Junta de Deliberações da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), eleito na Assembleia Geral Ordinária da CGADB que sua igreja em Niterói hospedou, em 1971. Ele é também fundador da Convenção Evangélica das Assembleias de Deus do Estado do Rio de Janeiro (Ceader), juntamente com outros pastores, tendo sido eleito 1º vice-presidente na primeira Assembleia Geral Ordinária da entidade, realizada em 1962, em Petrópolis, e atuando como seu presidente no período de 1970 a 1972. Participou de comissões nacionais e internacionais das Assembleias de Deus, representando o Brasil. Esteve presente, juntamente com outros pastores, em duas Conferências Mundiais Pentecostais (Londres, em 1976, e Vancouver, Canadá, em 1979) e visitou duas vezes Israel, a Terra Santa.

Em sua gestão, pastor Moysés fundou o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus de Niterói (IBADN). Também exerceu a função de capelão da Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (Adhonep), capítulo Niterói. Após o falecimento de sua primeira esposa, em 1971, casou-se com Giselda de Oliveira da Fonseca, em 1975. Em 1981, pastor Moysés foi milagrosamente curado por Deus de um câncer na bexiga. Dez anos depois, vítima de um tumor cerebral canceroso, morreu, em 20 de março de 1991, aos 81 anos de idade e jubilado do pastorado da Assembleia de Deus de Niterói havia sete anos.

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