O Mensageiro Da Paz (MP) é o órgão oficial da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Brasil (CGADB), publicado a partir de dezembro de 1930, por decisão da primeira Convenção Geral das Assembleias de Deus, realizada de 5 a 10 de setembro do mesmo ano, na AD de Natal (RN). Os convencionais resolveram fundir, em um só jornal, o Boa Semente, da AD de Belém (PA), e O Som Alegre, da AD do Rio de Janeiro (RJ).
Custando seis mil réis a assinatura, e 200 réis o número avulso, o aparecimento do Mensageiro de Paz solucionou um pequeno problema que os dois jornais pentecostais em circulação haviam criado. O Boa Semente atendia às regiões Norte, Nordeste e, em alguns casos, à do Sul. Ele acentuava aspectos doutrinários e informativos, enquanto O Som Alegre, circulando na região da antiga capital do país e Estados limítrofes, destacou-se mais como órgão evangelístico, além de noticioso.
Logo, os dois jornais assumiram posições antagônicas e regionalistas, sem que houvesse interferência mútua em suas áreas de atuação. Tornaram-se dois órgãos oficiais distintos, do Norte e do Sul. Isso resultou em certos constrangimentos entre as lideranças da época, e o problema culminou com a fusão de ambos em um só jornal, que passou a circular em todo o país.
A Convenção Geral de Natal decidiu também que Gunnar Vingren e Samuel Nyström seriam os dois diretores do Mensageiro de Paz. Sua redação foi instalada na residência da família Vingren, à Rua Conde de Leopoldina 111. Ele passou a ser impresso na Oficina Gráfica Fernandes & Rohe, à Rua da Misericórdia 36-38. Seu principal propósito era ser “o portador de salvação que deve entrar em todos os lares”. Desde o primeiro número, foi implantado o sistema de assinaturas. Emílio Conde, em artigo publicado no jornal da 2ª quinzena de janeiro de 1931, entre outras coisas, dizia: “Falar do mesmo é falar de Jesus, pois ele é o verdadeiro Mensageiro de Paz.”
Nesse número, foi também iniciada a seção de testemunhos, que, mais tarde, ocupou uma página inteira.
Em janeiro de 1932, Samuel Nyström assumiu a direção do jornal, ficando Nils Kastberg encarregado de sua redação. A partir desse ano, o periódico recebeu seu nome definitivo: Mensageiro da Paz. No mês de julho, a redação foi transferida para a residência do irmão Nyström, à Rua Maria Amália 107, Tijuca. Já no ano seguinte, o MP estava circulando na Argentina, Portugal e América do Norte. Em 1935, a redação foi novamente transferida, desta vez para a Rua Figueira de Melo 232-A, ao lado do novo salão de cultos da Assembleia de Deus de São Cristóvão. O Dr. Carlos Brito, membro da igreja de São Cristóvão, assumiu a direção do periódico.
Nessa época, o jornal não contava ainda com um corpo de redatores fixos, e sim com um pequeno grupo de crentes que não podia trabalhar exclusivamente para o jornal, visto que tinham outras ocupações e o mesmo não dispunha de recursos, a não ser uma pequena verba enviada do exterior.
Equivocadamente considerado como antivarguista e anticomunista, por causa do artigo “Bolchevismo Batalhando Contra o Cristianismo”, escrito pelo missionário Samuel Hedlund e publicado na primeira página da edição da 2ª quinzena de fevereiro de 1935, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) apreendeu um exemplar dessa edição do MP e abriu um prontuário contra o missionário Samuel Hedlund.
O Deops (semelhante ao Dops carioca) funcionou como uma polícia política, controlando a sociedade em geral e, especificamente, os grupos que eram considerados perigosos, por suas ideias, doutrinas e práticas políticas divergentes de vários governos, começando pelos de Getúlio Vargas, e durante a Segunda Guerra Mundial.
Em 1937, a tiragem do MP chegou a 11.800 exemplares quinzenais, e este número o colocou entre os periódicos de maior circulação no meio evangélico.
Em todos os setores das Assembléias de Deus, o interesse pelo Mensageiro da Paz era intenso. Um dos acontecimentos interessantes da época foi o exemplo de um crente do Estado do Rio de Janeiro que adquiriu um exemplar do MP, e, querendo presenteá-lo a duas famílias, resolveu dividi-lo ao meio, dando uma parte para cada família. O resultado foi que nove pessoas se converterem a Jesus Cristo.
Em abril de 1938, a redação foi transferida para a Praça Mal. Deodoro 338, atual Campo de São Cristóvão. Em 1940, a Convenção Geral viu-se obrigada a organizar juridicamente o jornal, pois o Governo Federal decretara que todo órgão noticioso só poderia funcionar se pertencesse a uma entidade com personalidade jurídica. Assim, foi fundada, em 13 de março daquele ano, a Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), e o MP se tornou propriedade dessa editora. Apesar do grande conflito da Segunda Guerra Mundial, o MP conseguiu sobreviver, mesmo quando a redação se viu obrigada a publicá-lo em papel comum, pela absoluta falta de matéria-prima.
Em 1945, a tiragem alcançou 17.500 exemplares, cifra jamais alcançada por qualquer jornal evangélico do Brasil ou da América do Sul. No ano seguinte, a gráfica que imprimia o MP estava para ser desapropriada. Diante disso, a Convenção Geral, realizada em Recife, entre 20 e 28 de outubro daquele ano, estudou o assunto e resolveu que se fizesse uma campanha no sentido de angariar fundos para a compra de uma tipografia. O grande movimento em favor da aquisição do terreno e de máquinas próprias contribuiu para uma melhor arregimentação da editora como pessoa jurídica.
O lançamento da pedra fundamental do novo prédio ocorreu em 28 de março de 1948, na Rua Olímpio de Melo 581. O Mensageiro da Paz de janeiro de 1949 foi impresso nas novas instalações (um galpão de 5x30m), consideradas por muitos como provisórias e de emergência. No mês de maio, a redação foi transferida para a Rua São Luiz Gonzaga 1951.
Ao assumir a gerência da CPAD, em 1960, o pastor Armando Chaves Cohen lançou a campanha dos 100 mil exemplares, em homenagem ao cinquentenário das ADs no Brasil. Nessa época, o MP alcançou uma tiragem de 67 mil exemplares, em três ocasiões. O substituto do pastor Cohen, Deolando Almeida, deu também grande impulso ao MP. Na gestão de Altomires Sotero Cunha como diretor-geral, a CPAD foi trans-ferida, em 27 de julho de 1970, para a Estrada Vicente de Carvalho 1083, Penha. Emílio Conde, que, desde o ano de 1947, vinha respondendo pela direção do MP, foi substituído, em 1969, pelo pastor Alcebiades Pereira Vasconcelos, que permaneceu responsável pelo jornal até 1972.
O Mensageiro da Paz teve, por algum tempo, o pastor Paulo Leivas Macalão como seu diretor interino. Em 1974, o pastor João Pereira de Andrade e Silva assumiu a direção, sendo substituído em 1977, pelo pastor Joanyr de Oliveira, que promoveu profundas modificações no MP. Ao assumir a Diretoria Executiva, em 1979, Custodio Rangel Pires, em ação conjunta com o pastor Eude Martins da Silva, superintendente da CPAD, colocou o MP nas bancas de todo o país, melhorando também sua qualidade. O jornal passou a ter o pastor Abraão de Almeida como seu diretor, até julho de 1984, quando então o pastor Nemuel Kessler assumiu a Diretoria de Publicações e a direção do Mensageiro da Paz. De 1989 a 1993, ficou sob a responsabilidade do pastor Antonio Gilberto da Silva.
A partir de 1993, a direção do MP com a posse de Ronaldo Rodrigues de Souza na Diretoria Executiva da CPAD, ficou sob a gerência do pastor Geremias do Couto, até 1996. Depois, sob a gerência do pastor Gilmar Vieira Chaves, e a partir de abril de 1999, com o desmembramento da Redação da Gerência de Publicações, surgiu o Departamento de Jornalismo, responsável pelo MP e pelos demais periódicos da CPAD, e sob a gerência do editor-chefe pastor Antonio Pereira Mesquita, sucedido pelo pastor Silas Daniel, atual editor-chefe do departamento de Jornalismo. Na gestão de Ronaldo Rodrigues de Souza, a Redação ganhou maior profissionalismo e o Mensageiro da Paz passou a ser impresso em cores.
A lista de articulistas, ao longo dos anos, é extensa. Alguns destaques são: Emílio Conde, Nils Kastberg, Samuel Nyström, Frida Vingren, O. S. Boyer, Otto Nelson, N. Lawrence Olson, Alcebiades Pereira Vasconcelos, Elyseu Queiroz de Souza, Antonio Torres Galvão, M. F. de Almeida, Francisco Assis Gomes, Joaquim Honório Tostes, Gustavo Kessler, José Pimentel de Carvalho, José Menezes, Eurico Bergstén, Anto-nio Gilberto da Silva, Joanyr de Oliveira, Abraão de Almeida, Estevam Ângelo de Souza, Elienai Cabral, Joá Caitano, Oziel de Paula, Otoniel de Paula, Gessé Adriano da Silva, João de Oliveira, Claudionor de Andrade, Geziel Nunes Gomes e Geremias do Couto.
Penetrando em lugares difíceis de serem atingidos, evangelizando nas cidades, nos campos, nos ônibus, nos navios, nos trens, nos aviões, nas escolas, nas praças, nos hospitais e nos presídios, os artigos e os testemunhos do Mensageiro da Paz têm levado muitas vidas a aceitarem o evangelho, o que lhe rendeu, por muitos anos, o título de “o evangelista silencioso”.
*Texto elaborado com base na definição apresentada por Isael de Araújo em Dicionário do Movimento Pentecostal (CPAD)
