Ensinando os filhos sobre o pecado

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Marcos Tedesco


Falar sobre pecado com crianças pode parecer um desafio para muitos pais e educadores cristãos. Alguns receiam que o assunto seja pesado demais, outros acabam tratando o pecado apenas como mau comportamento, reduzindo esse tema a uma lista de coisas que a criança pode ou não pode fazer. Há ainda aqueles que, na tentativa de proteger os pequenos, praticamente eliminam o assunto de sua formação cristã. Nenhum desses caminhos é o ideal. Se desejamos que nossos filhos compreendam a beleza da salvação, eles também precisam compreender, progressivamente, por que necessitam dela.

Comece cedo, ensine progressivamente

A Palavra deve ser ensinada assentado em casa, andando pelo caminho, ao deitar-se e ao levantar-se (Dt 6.6,7). Trata-se de uma educação intencional, contínua e integrada ao cotidiano da família. Mentir, machucar alguém intencionalmente, desobedecer, tomar aquilo que pertence ao outro e agir com egoísmo são situações que podem servir como pontos de partida, como convites à reflexão. Aos poucos, a criança precisa perceber que pecado não significa simplesmente “fazer coisas feias”. Jesus ensinou que é do interior do ser humano que procedem pensamentos e comportamentos pecaminosos (Mc 7.21-23). Assim, à medida que amadurece, a criança deve avançar na percepção do comportamento para a compreensão das suas práticas e pensamentos.

Pecado é mais do que mau comportamento

Um grande risco que corremos é formar crianças comportadas sem necessariamente gerar discípulos de Cristo. Uma criança pode aprender a permanecer sentada durante o culto, guardar seus brinquedos e respeitar os adultos sem compreender profundamente sua necessidade da graça de Deus. É necessário mostrar que pecado não é simplesmente quebrar regras familiares ou sociais. A Educação Cristã genuína procura formar uma consciência orientada pela Palavra de Deus a fim de provocar no cristão o desejo de intimidade com Deus e consequentemente uma vida em santificação. Sentir tristeza, medo ou frustração também não constitui pecado por si só. Não podemos transformar toda manifestação da imaturidade infantil em uma categoria moral. É preciso distinguir pecado, acidente, imaturidade, limitação e dificuldade de desenvolvimento.

Ensinar a criança a pedir perdão exige ajudá-la a compreender seus erros e suas consequências. O verdadeiro arrependimento deve produzir frutos (Mt 3.8), manifestando-se em mudanças de atitude. Por isso, a correção deve estimular a reflexão, o reconhecimento das próprias ações e a reparação dos danos causados. Ao valorizar a verdade, o amor e a generosidade, pais e educadores cristãos podem transformar situações de erro em oportunidades de aprendizagem e formação do caráter cristão.

O ensino e as fases da infância

A maneira de conversar sobre pecado deve acompanhar o desenvolvimento da criança. Nos primeiros anos, aproximadamente entre zero e três anos, predominam experiências de cuidado, vínculo, limites e segurança. Ensinamos por meio da rotina, do exemplo, de palavras simples e de limites consistentes.

Entre quatro e seis anos de idade, histórias bíblicas, situações concretas e perguntas simples ganham enorme importância. A criança já pode compreender que desobedecer àquilo que Deus deseja é errado, que precisamos reconhecer nossos erros e que Deus nos ama e oferece perdão.

Entre sete e nove anos, torna-se possível aprofundar as relações entre comportamento, intenção e consequências. Conceitos como pecado, arrependimento, perdão, graça e salvação já podem ser apresentados.

Entre dez e doze anos, a criança normalmente apresenta condições para discussões mais complexas. Podemos abordar motivações, tentações, responsabilidade, influência do grupo, decisões pessoais e a necessidade de desenvolver uma cosmovisão cristã.

No entanto, essas faixas etárias não são rígidas. O desenvolvimento não acontece exatamente da mesma forma para todas as crianças. Elas servem como orientação para que não exijamos de uma criança uma compreensão que ainda depende de capacidades e desenvolvimento.

A família ensina e a Escola Dominical fortalece

A responsabilidade primária pela formação espiritual dos filhos pertence à família. Entretanto, a Escola Dominical pode tornar-se uma forte aliada das famílias na formação espiritual dos filhos. Nela, a criança encontra professores preparados, currículo organizado, ensino bíblico, cristocêntrico e sistemático, convivência em comunidade e oportunidades para interagir. Nesse ambiente, ao longo dos anos, ela pode construir progressivamente uma compreensão das doutrinas da fé cristã edificando a sua fé. Nesse meio, pastores, líderes, professores e pais formam uma rede de cuidado espiritual em torno da criança.

Enfim, ensinar sobre pecado não significa criar crianças obcecadas pelos próprios erros. Significa ajudá-las a enxergar corretamente sua condição para que possam compreender corretamente a graça. Não devemos desejar apenas filhos educados, mas filhos que conheçam Jesus. O pecado é sério, a graça é abundante, Cristo é suficiente e nossas crianças precisam aprender essas verdades desde cedo até que aquilo que um dia ouviram dos lábios de seus pais e professores se transforme, pela graça de Deus e pela atuação do Espírito Santo, em fé pessoal, consciente e perseverante em Jesus Cristo. Amém!

Marcos Tedesco é pastor-auxiliar na Assembleia de Deus em Joinville (SC), doutorando e mestre em Educação, psicopedagogo, pedagogo, historiador e teólogo; articulista, palestrante e comentarista de Lições Bíblicas da CPAD.

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